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A importância da buzina do trem para a segurança nos trilhos

Com o crescimento desordenado das cidades e o cercamento dos trilhos por zonas residenciais, muitos moradores dos arredores das ferrovias tem se oposto ao uso da buzina de ar como um dispositivo de advertência, argumentando que seu uso é excessivo e que elas perturbam o sossego. Em algumas cidades, vereadores tentaram em vão criar zonas de silêncio, proibindo o acionamento das buzinas em certas horas do dia ou da noite. Além destas medidas entrarem em conflito com a prerrogativa da União de regular o transporte ferroviário, elas são muito perigosas. 

As buzinas são o único instrumento direto de comunicação do maquinista com o trânsito rodoviário e de pedestres. Elas tem o propósito de chamar a atenção das pessoas para a aproximação iminente de um trem. Por determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as buzinas precisam sempre ser utilizadas nas imediações das passagens em nível para alertar pedestres e motoristas da chegada da composição. A intensidade do volume da buzina atende as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e deve ser de no mínimo de 96 dB, e no máximo de 110 dB.

Os toques

Já notou que as buzinas tem toques diferentes? Já imaginou se esses toques teriam algum significado? Você está certo. As buzinas, como um meio de comunicação, possuem uma linguagem codificada e um padrão de toques. Um toque curto é utilizado na aproximação de uma passagem em nível dentro de um pátio assistido ou oficina – áreas técnicas operacionais das ferrovias – que tenham uma cancela ou um trabalhador posicionado para parar o tráfego de veículos. Esse toque também é utilizado ao se aproximar de trabalhadores na via a menos de 200m. 

Um toque longo é utilizado antes da partida de trens, seja durante o início do trajeto, ou depois de qualquer parada. Este toque também é utilizado ao se aproximar de túneis, pontes, viadutos, ao avistar pessoas na via ou qualquer outra condição de alerta, como locais em que a visibilidade é reduzida. 

Nas passagens em nível, em geral, segue-se o mesmo padrão estabelecido por lei: duas buzinas longas de três segundos cada, uma curta de um segundo e, por último, uma longa de três segundos. Este procedimento deve ser repetido ou prolongado conforme necessário até que a locomotiva líder ocupe totalmente a travessia. Em caso de PNs consecutivas a menos de 250m uma da outra, ao terminar de transpor a primeira, pode-se fazer apenas um acionamento curto para transpor as demais. 

Estes procedimentos devem ser adotados tanto em passagens de nível oficiais quando pelas passagens de nível clandestinas ou irregulares – atalhos criados pela comunidade para cortar caminho. Desta forma, quanto maior o número de passagens em nível e pessoas transitando na área operacional da ferrovia, maior o número de vezes em que a buzina será acionada. Muitos acidentes são evitados e vidas são salvas repetindo esse procedimento. 

Maquinistas também têm a autoridade para variar esse padrão conforme necessário e podem soar a buzina em situações de emergência, independentemente da localização. Toda vez que o maquinista avistar alguém nos trilhos ou nas proximidades da ferrovia agindo de forma imprudente, ele tem o dever de tocar a buzina para alertar sobre sua aproximação.

Há ainda outras situações que podem interferir no número de vezes em que a buzina é acionada. O acúmulo de lixo e outros detritos na área de domínio podem confundir o maquinista e levá-lo a pressionar a buzina. Além disso, a presença de animais soltos, crianças brincando e pessoas transitando também exige que a buzina seja acionada mais vezes. 

Sinos, apitos e outros sinais sonoros

Em caso de falha no sistema de buzinas, em locomotivas que possuam esse sistema, sinos podem ser utilizados ao passar por PNs e na movimentação no interior das oficinas. 

Na comunicação com pedestres e motoristas, também são utilizados apitos para advertir as pessoas, efetuar manobras de recuo em PNs localizadas em perímetro urbano ou em passagens em nível com grande fluxo de pessoas e que que não tenham cancelas ou vigilantes. 

Sirenes e outros sinais sonoros também podem ser utilizados para alertar sobre a movimentação de veículos, cargas suspensas e outros riscos dentro de áreas técnicas da rede ferroviária. Cada instalação possui procedimentos específicos que disciplinam a utilização desses dispositivos.

Como vimos, a buzina é um importante instrumento de segurança para as operações ferroviárias. Os seus diferentes toques servem para alertar motoristas e pedestres da aproximação de um trem e outros veículos que andam sobre trilhos. Da próxima vez que estiver numa zona ferroviária, lembre-se: desligue a música, retire fones de ouvido e preste atenção aos sinais que ouvir. A distração é uma das causas de grande número de acidentes. Não entre nessa estatística.

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